04-01-2008

Ano novo, casa nova

Ano novo, casa nova. Uma casa portuguesa onde continuarei a recebê-lo (a) com a gentileza de sempre. Por favor, actualize os seus links.

Sindicância à CML

O relatório da sindicância à Câmara Municipal de Lisboa parece mostrar claramente que algo vai mal nos serviços desta autarquia, existindo uma "promiscuidade preocupante nos serviços urbanísticos", segundo se pode ler no Correio da Manhã. O assunto é grave, muito grave. António Costa já começou a limpar a casa, mas deve ter muito para fazer pela frente, a crer no relatório. O que não se compreende é a posição das forças políticas lideradas por Helena Roseta e pelo comunista Ruben de Carvalho que vêm agora mostrar desacordo com as exonerações decididas por António Costa. Os empatas são sempre os mesmos. Para mostrarem que estão vivos e actuantes não actuam, perturbam.

02-01-2008

Dircursos

É curioso este país. Na mensagem de Natal o primeiro-ministro deixou-nos um retrato de esperança e optimismo, moderado é certo. Um optimismo prafentex dentro do conceito simplex. Agora, na mensagem de Ano Novo, o presidente da República, que não conhece o sorriso fácil, arrepia um pouco essa sensação de optimismo, deixando-nos quase sem esperança. Eu sei que a realidade é o que os olhos de cada um vêem, mas os nossos dois governantes de topo podiam ao menos usar óculos com as mesmas dioptrias e focagens. Assim, o optimismo de um foi anulado pelo cepticismo do outro. Estamos afinal como sempre estivemos: nem melhores nem piores, pouco mais ou menos, na corda bamba. Deus os abençoe!

01-01-2008

Ainda os votos para 2008

Para 2008 desejo também que o governo de José Sócrates possa ser menos tecnocrático, apresentar um rosto mais humano, resolvendo os problemas das populações sem abdicar da eficiência nem do combate à fraude, à fuga aos impostos, nem deixar de prosseguir as reformas que fazem parte do seu programa. É importante que ataque a fundo o problema dos desempregados. Espero que governe com bom senso, sem cair na tentação do oito ou oitenta. Bom senso, firmeza e eficiência são, porventura, as palavras-chaves de uma política governativa correcta para o ano que agora começa.

Livraria na igreja

Esta imagem tem surgido nos últimos dias em vários blogues. É belíssima. Parece que surgiu via Bibliotecário de Babel, que por sua vez a retirou daqui. É, para além da beleza do espaço em si, a certeza de que continua a existir quem pense no livro com carinho, arte e funcionalidade. É uma imagem de esperança para 2008 e para o futuro.

Votos para 2008

Entre os meus votos para este ano novo de 2008 está o de que Pais do Amaral não venha a transformar o empório editorial que adquiriu nos últimos meses numa espécie de fábrica de chouriços literários, também designados por best-sellers. Confesso, no entanto, que estou céptico quanto a isso. Com a edição nas mãos de dois ou três grupos empresariais e a distribuição idem, não vai sobrar muito espaço para a literatura fora das campanhas de marketing. Espero estar enganado.

31-12-2007

2008


2008 vem aí a cavalo na esperança. Abram-lhe a porta com um sorriso.

Nos contrafortes do Chiado


30-12-2007

DesAcordo

Aqui diz-se NÃO ao Acordo Ortográfico. Apenas porque sim.

29-12-2007

Menezes fala, fala, mas ninguém o ouve.

Menezes fala, fala, mas ninguém o ouve. E o porta-voz do seu partido segue-lhe as pisadas.


O Governo de José Sócrates calou a verborreia do PSD, sobretudo do seu lider Luis Filipe Menezes e do porta-voz do partido Rui Gomes da Silva, ao nomear para Presidente da CGD um quadro da instituição que actualmente desempenhava o cargo de Presidente da CGD em Espanha - Faria de Oliveira. Se é da área social-democrata é apenas um pormenor. Talvez esta nomeação possa querer agradar a Cavaco Silva, de quem Faria de Oliveira foi ministro. Mas uma coisa é certa: a direcção do PSD foi completamente marginalizada neste processo, demonstrando que o seu líder não tem qualquer influência na vida pública portuguesa actual.

Não ao Acordo Ortográfico

Ainda não percebi esta coisa do novo Acordo Ortográfico, bla-bla, falarmos e escrevermos todos a mesma língua, bla-bla, o que terá vantagens em termos de mercado por via dessa uniformização, bla-bla. Isto só pode ser coisa de políticos e de políticas, do toma lá dá cá da diplomacia, que não interessa nada aos falantes. Mas alguém espera que os brasileiros ou qualquer dos povos das ex-colónias passem a falar e a escrever o português de Portugal ou nós o deles ou uma espécie de mistura de todos? Por decreto? A língua e a sua evolução não se decreta, por mais piruetas que alguns políticos e patetas mansos façam. Nem a uniformização da língua trará alguma vantagem económica para nós, portugueses, em relação aos mercados do Brasil e das ex-colónias. O Brasil está-se borrifando para nós em termos culturais (e não só) e os povos das ex-colónias liderados pelas suas burguesias principescas imitam-nos. Alguém imagina que os nossos editores vão entrar melhor ou pior nos mercados africanos e brasileiro por uniformizarmos a língua? Não é a língua nas suas diferenças que entrava ou pode entravar a expansão dos negócios, mas a falta de capacidade negocial e empresarial e diplomática que para tal concorrem. A verdade é apenas uma: serão os brasileiros quem tomará a dianteira nos mercados culturais de África de língua portuguesa se nós apenas nos ficarmos por essa coisa ridícula que é a ratificação do Acordo Ortográfico. Se nem em termos de CPLP nos entendemos! Se nem a CPLP serve para alguma coisa, a não ser para distribuir mais uns cargos pela rapaziada da política! Deixem a língua evoluir pela sua própria natureza, aqui em Portugal, no Brasil, em África. Britânicos, americanos, australianos e outros países anglófonos entendem-se no que se devem entender sem acordos ortográficos. A Espanha e os países da América Latina entendem-se e trocam experiências culturais sem necessidade de acordos ortográficos. Vejam se atinam!

28-12-2007

Paizinho

Ainda não vi (nem li) ninguém fazer uma defesa clara da política e da pessoa de José Sócrates. O mais longe que vão os comentadores fica inscrito na frase "dar uma no cravo e outra na ferradura". O PS enquanto partido não o defende nem o ataca, talvez por que ele não deixe. A atitude frontal e algo dura e fria de Sócrates, a sua determinação e liderança, não cativa muito os portugueses, que preferem as almas piedosas e cínicas, os políticos que dão electrodomésticos e aqueles outros cheios de verborreia que brandem os punhos e apontam o dedo, mas delapidam o erário público. Os portugueses fazem sentir muitas vezes que não gostam de paizinhos da pátria, embora acabem por os aplaudir. A verdade é que o país não consegue dar um passo em frente sem ter um paizinho.

Sinais dos tempos

(crédito da imagem: Nonags)
Assim como na vida humana vivemos um tempo em que as mulheres vão, paulatinamente, tomando (ia a dizer expulsando, mas não quero exagerar) as posições que os homens foram adquirindo ao longo dos séculos, também aqui os gatos tomaram o habitat do cão sem que ele pareça importar-se com esse assalto à sua propriedade e soberania. A não ser que ele acredite na repartição de tarefas e na vida partilhada nos bons e maus momentos. Seria interessante que em vez de uma foto tivéssemos a cena filmada e começasse de súbito a chover ou a trovejar. Continuaria o cão ali?

27-12-2007

Democracia no Paquistão

À segunda foi de vez. Benazir Bhutto morreu vítima de atentado suicida enquanto participava num comício nos subúrbios de Islamadad. Em um outro comício do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, candidato oposicionista, também houve tiroteio morrendo 4 pessoas, segundo o Jornal Digital. A democracia custa muito a implementar. Quem estará por detrás deste estado de coisas? Células da Al-Kaeda ou gente do general Pervez Musharraf que manobra agora na sombra? Num mundo atravessado pelo gangsterismo nada é o que parece.

Sérvios e turcos

Parece que os Sérvios ameaçam virar as costas à União Europeia e à NATO caso se efective a independência do Kosovo. Ora, que chatice! Logo os sérvios, que eu adorava ter como parceiros na comunidade das estrelinhas! Acho-os tão simpáticos. Os sérvios e os turcos, devo acrescentar. Esses mesmo que aproveitando a fragilidade do Iraque atacam os guerrilheiros do PKK em território estrangeiro, possivelmente com o beneplácito dos EUA, cuja política externa é, como se sabe, qualquer coisa parecida com um molho de bróculos.

O português é porco?

Os montes de lixo produzidos nesta quadra, sobretudo papel e cartão, que ainda hoje permanecem junto aos contentores não é apenas resultado de um trabalho deficiente das empresas de recolha de lixo, mas dos próprios munícipes que tendo as ilhas ponto verde próximas de casa preferem atirar o lixo para o chão a introduzi-lo nos receptáculos que têm à disposição e que se encontram, em muitos lados, vazios. O português é porco, é sim senhor. Não só cospe para o chão, como não apanha os dejectos dos lulus que vem passear à rua, como ainda não coloca o lixo onde deve. As empresas de recolha de lixo limitam-se a recolher o que está dentro dos contentores e a assobiar para o lado no que respeita ao lixo espalhado pelo chão, que os cantoneiros de limpeza nunca poderão apanhar dado os volumes elevados de desperdício produzido nesta quadra. E assim lá vamos cantando e rindo.

Gastos natalícios

Os portugueses passaram esta quadra natalícia a exercitar o polegar enviando SMS's para familiares e amigos, o que corresponde a um gasto de 46,3 milhões de euros, segundo o Jornal de Negócios. Isto acrescido ao aumento significativo de levantamentos nas ATM's significa que os portugueses queixam-se muito, mas gastam bastante.

26-12-2007

Leituras












Leituras para todos os gostos e para todos os momentos. Quem sabe aproveitando estes dias mais soltos. Nem só de bacalhau, cabrito, doces e outras artes culinárias vive uma pessoa!

1 - «A Senhora dos Açores», de Romana Petri, Cavalo de Ferro

2 - «Pedro Páramo», de Juan Rulfo, Cavalo de Ferro

3 - «O Sol de Breda», de Arturo Pérez-Reverte, ASA

4 - «Nação Crioula», de José Eduardo Agualusa, Dom Quixote

23-12-2007

Menezes cada vez melhor

Luis Filipe Menezes mostra todos os dias a vacuidade do seu discurso político-partidário, que o aproxima muito, para pior, do pior de Santana Lopes. Agora tenta transformar em caso político a situação no BCP recuperando uma ideia que o seu próprio partido desfez: a de indicar para Presidente da CGD um elemento próximo do maior partido da oposição, neste caso o PSD. Embora ainda não se saiba ao certo se Santos Ferreira irá para o BCP, Menezes avança já com o nome de Cadilhe para a CGD. É a velha política à portuguesa. Baralhar e dar de novo.

Morreu o escritor francês Julien Gracq (1910-2007)

Faleceu ontem em Angers, aos 97 anos, o escritor francês Julien Gracq (de seu verdadeiro nome Louis Poirier), nascido em Saint Florent-le-Vieile, a 27-07-1910. Autor discreto, sempre achou que a obra era o importante e não o escritor. Manteve-se próximo do movimento surrealista. Dizia ele: "Eu escrevo como toda a gente, começando pelo princípio e acabando no fim". A Assírio & Alvim publicou duas obras deste autor: «As Águas Estreitas», 2006 e «A Literatura no Estômago», 1987. Há também uma tradução de Pedro Tamen da obra «Le Rivage des Syrtres» galardoada com o Prix Goncourt (que Gracq recusou) em edição da Vega, segundo li algures.

Wikipédia; El País;

O menino de oiro

Cristiano Rodaldo fez os dois golos que deram a vitória ao Manchester United frente ao Everton. É o melhor marcador da Liga Inglesa. E depois veste de vermelho, o que é sempre de louvar.


O que é Nacional é bom, lá diz a publicidade

Sim, é verdade, os invencíveis campeões azuis e brancos, baquearam em terras de Sua Majestade Alberto João. É sempre com infinita tristeza que recebo notícias destas. E, claro, a ninguém escapa o comentário do sr. Jesualdo relativamente a erros do árbitro. Quando não se consegue ganhar a culpa é sempre dos outros. Mas vamos ao que interessa: sete pontos de diferença não é nada. A partir de agora vamos enervá-los. O resto é uma questão de fé.

21-12-2007

ASAE

Sinceramente não entendo o que leva as pessoas a manifestarem-se contra a actuação da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica). Permito-me até acrescentar que vejo as suas acções como meritórias, pelo que me sossega enquanto consumidor. Compreendo que feirantes menos escrupulosos sintam o negócio ameaçado; que senhoras que façam rissóis e empadas em casa se sintam prejudicadas no seu negócio líquido de impostos, sem vistoria nem controlo da qualidade dos óleos e outros produtos usados na confecção desses alimentos; que os habituais negociantes sem rosto e manobrantes de oportunidades se vejam, transitoriamente, cercados pela força não negociável dos agentes da ASAE. Compreendo mesmo que haja gente de paladar estragado, que prefira o chiqueiro seboso de alguns tascos "típicos" e não se preocupe que na cozinha (?) de muitos ditos restaurantes vivam em franca camaradagem os detergentes e os congelados com prazo ultrapassado, mais os limões cortados, as alfaces, a loiça suja, as baratas, os restos de comida e outras delícias "da cozinha tradicional", tudo junto com a comida que irá saborear a seguir. Inscreve-se tudo nessa boa educação e higine que leva muita gente a não lavar as mãos depois de ir ao WC; que leva as senhoras a trazer os lulus à rua e não apanharem os dejectos; ou esse jeito muito português e ancestral de cuspir para o chão ou assoar-se para o relvado como fazem alguns jogadores de futebol. Mas será isto correcto? Será isto que nós queremos para nós próprios? Será isto digno de um país que está sempre pronto a reclamar pelos seus direitos e liberdades? Penso que a ASAE aje bem e de forma que merece o apoio de quem não tem nada a temer da sua acção.

«O Velho e o Mar», de Ernest Hemingway

"Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões."

Prémio Pulitzer, 1952.

Forte achega para Hemingway receber o Prémio Nobel da Literatura, dois anos mais tarde.

O mundo é de plástico?

Desde que comecei a separar o lixo (verde, azul e amarelo) fui tomando consciência de que vivemos submersos em plástico dos mais variados tipos. Por cada cinco receptáculos cheio de material plástico enviados para reciclagem encho um de vidro e dois de papel.

20-12-2007

Balanço balanceado

É sintomática a nossa tendência para não estar bem com nada do que fazemos ou construímos. Sempre que alguém faz qualquer coisa que se destaca no panorama cinzento das nossas vidas; sempre que alguém pretende avançar, construir, desenvolver, sobretudo na área político-social, logo aparecem os comentadores, os mal-amados, os derrotistas, os profissionais do bota-abaixo, os pequenos líderes sabujos, os invejosos (grande praga), a claque dos protegidos do sistema, os fazedores de opinião, os comandantes da imensa frota de naus corporativas, com seus poleiros, seus chás, seus patuás, seus arrebiques e pequenas prepotências e demências a queixarem-se, a brandirem seus cajados de ódio. Aqui d'el-rei que o país está em perigo, as liberdades ameaçadas por terríveis fantasmas, o futuro hipotecado. Basta só alterar uma vírgula para o mundo ruir. A verdade que nos anima é dolorosa. Desde há séculos que é dolorosa: são poucos a construir e imensos a destruir. Todos estes por uma causa que nunca os abandona: a mesquinhez. E, assim, empurrando para a frente a nossa singeleza, esquecendo o essencial para nos digladiarmos no acessório, dificilmente cresceremos mais do que os outros, dificilmente conseguiremos ser felizes. A infelicidade num país de sol e mar é uma doença injustificável. Espero que 2008 nos ensine a ser um pouco mais felizes, mais autênticos, mais eficazes, mais conscientes das nossas potencialidades.

Marguerite Yourcenar morreu há vinte anos


Passou no dia 17 do corrente mês de Dezembro o 20.º aniversário da morte da escritora Marguerite Yourcenar, nascida em Bruxelas em 1903 e falecida nos EUA (Maine), em 1987, autora de obras como «Memórias de Adriano», «Como a Água que Corre» e «Contos Orientais», de que há tradução portuguesa.

Poetas portugueses: Maria Andresen (1951-)

Partindo de Reikjavik para leste e pela costa descobrimos,
como se colada à paisagem, uma espécie de eficácia contornando
as formas recorrentes da estranheza

Para quê o medo ou a herança dos grandes sentimentos
se toda a piedade de Deus ou os luxos da brandura emigraram
como as aves para sul ou hibernaram

É feroz aqui o frio
há pássaros de prata, areia preta e animais de tundra. Aqui os
humanos são endurecidos e sagazes, usam de palavras parcas
materiais pobres e hábitos eficazes

Maria Andresen
(in «O Escritor», n.22, Outubro de 2007)

Maria Andresen de Sousa Tavares nasceu no Porto em 1951. Filha de Sophia de Mello Breiner Andresen e irmã do jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares, é professora na Universidade de Lisboa e tradutora, além de poeta e ensaísta, tendo publicado «Lugares», 2001 e «Livro das Passagens», 2006. Tem colaboração em vários jornais.

18-12-2007

Imbróglios no reino da justiça e adjacentes

É difícil disfarçar mais, assobiando para o lado e usando metáforas, como as que usou o Ministro da Justiça ontem perante os media, de que algo vai mal, muito mal, no reino da Justiça e da investigação criminal no nosso país. Portugal é o reino das capelinhas, das coutadas, dos grupinhos e grupelhos, dos compadres e compadrios, como todos sabemos. É também o reino das corporações, coisa ancestral que continua a vingar quase com força de Estado. Como é que se pode entender que depois de seis mortes no Porto que pareciam ir ficar sem esclarecimento, de repente se assista a um imbróglio na investigação, com o procurador-geral da República a nomear uma superequipa de Lisboa para esclarecer o caso e os magistrados e PJ da Invicta a bufarem por se sentirem ultrapassados? Logo de seguida, num passe de mágica, como se aquela nomeação lhes tivesse espicaçado os brios, os investigadores saltam para o meio da realidade e apanham os presumíveis implicados de uma penada, conseguindo num curto espaço de tempo aquilo que durante meses parecia irresolúvel. Por que razão o PGR nomeou uma superequipa que ainda antes de entrar em funções viu o caso praticamente resolvido ficando a sua missão praticamente esvaziada de conteúdo? Por que razão a direcção da PJ não veio, antes, esclarecer os cidadãos, deixando que se gerasse uma crise, que logo de seguida resolveu com aparente facilidade? Por mais que tentem vir perante o cidadão mostrar que vai tudo bem é evidente que há um contencioso, subtil ou não, entre o MP e a PJ. O que não se percebe é como a situação vem progredindo sem que a autoridade do Estado se manifeste. São as corporações e os seus órgãos de classe que ditam as leis em que se movimentam? O Estado através do MJ não tem poder sobre esta triste situação? É pelo menos o que parece. Como é que um cidadão pode acreditar nos vários órgãos/instituições que têm por missão investigar o crime e aplicar a justiça se é confrontado com situações destas? Já agora, o caso Maddie encontra-se em que pé? À espera que as pessoas se esqueçam? Os McCann são culpados ou não? A PJ foi ligeira nas investigações iniciais e ficou de mãos e pés atados? Alguém pode esclarecer?

17-12-2007

Byblos

Ao contrário daquela pequena, maldosa e invejosa crítica em que o português é especialista, prognosticando futuros sombrios a tudo aquilo que um seu compatriota decida empreender, Nelson de Matos dá os parabéns à Byblos. O futuro se encarregará de mostrar que a aposta é viável.

A águia voa baixinho

Em Portugal parece haver dois campeonatos de futebol da Liga: um em que entra o FCP e o outro em que entram as restantes equipas. O curioso é que o FCP não praticando um grande futebol (apesar das trivelas de Quaresma), nem tendo um grande treinador (desculpe lá, professor) - mas tendo um grande presidente! - lá se vai distanciando por demérito dos adversários directos que, nos momentos cruciais, não mostram estofo de campeão. O que não se percebe é a atitude do Benfica para quem o campeonato parece ser um longo treino em várias etapas, tanto fazendo ganhar, perder ou empatar. Parece que nada disto incomoda os responsáveis da Luz. Camacho lá vai encontrando resposta para todos os desaires. A equipa de futebol do Benfica já mostra insegurança, intranquilidade, desnorte, instabilidade há muitas luas. Não é de agora. Mas os responsáveis pelo departamento de futebol e o presidente do clube não conseguem, certamente porque não sabem, dar a volta à questão. E assim a águia continuará a voar baixinho.

14-12-2007

"No meu tempo"

Os mais velhos costumam usar com frequência a expressão "no meu tempo" quando querem significar que as coisas "no seu tempo" eram diferentes, quase sempre melhor na sua apreciação. Mas então o nosso tempo não é todos os dias que vivemos? O nosso tempo não é hoje, qualquer que seja a nossa idade?

Menezes não existe. Sócrates agradece e manda embrulhar

Luís Filipe Menezes é o maior flop da mais recente política portuguesa. É mais um homem da área do Porto, carago, que fala muito (embora baixinho), mas que não acrescenta nada nem ao partido nem ao serviço público. Começa a perceber-se que o seu percurso político foi construído mais no intriguismo e na desestabilização do partido, via Congressos (que o diga Marques Mendes) do que na verdadeira gestão de uma ideia política coerente e firme. Menezes é a prova provada de que ser presidente de uma câmara municipal, mesmo de um município grande e activo, não significa que se esteja em presença de uma grande político. É também a prova de que ser líder de um grande partido sem ter assento no Parlamento é meio caminho para o esquecimento. Não está presente nos grandes debates da nação e por isso não lidera completamente a política do seu partido face à opinião pública. No caso em apreço é apenas uma espécie de voz em off. Podia ter aprendido com Sócrates, que é o exemplo de um líder que não deixa para os outros aquilo que lhe compete a ele fazer. Menezes é mais um flop do PPD/PSD. Sócrates agradece e manda embrulhar.

BCP à nora

BCP: o barco está a meter água e os ratos aprestam-se para abandoná-lo. Primeiro foi o CEO, depois Jardim Gonçalves e agora Filipe Pinhal ameaça ir-se embora. Tal está a moenga, compadre!